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A contestação é normal

João Marcelino Tyiping

João Marcelino Tyiping
Governador da Huila

O Jornal de Angola trouxe na edição do dia 24 (de Fevereiro  2014) uma longa entrevista do governador da Huila João Marcelino Tyipinge que aborda questões politicas, económicas e sociais. Reproduzimos-la a seguir:

João Marcelino Tyipinge foi durante muitos anos o líder do MPLA na Huíla. Nas últimas eleições conseguiu fazer o pleno: os cinco lugares em disputa no círculo eleitoral, foram conquistados pelo seu partido. Uma saborosa vitória por 5-0. Esse facto levou a que finalmente fosse nomeado governador da província “onde nasci, cresci e estudei”, como disse ao nosso jornal.

Está satisfeito com o apoio da população e pede “que todos sejamos construtores da unidade e da paz, num ambiente de reconciliação”.

Jornal de Angola – Como vê a Huíla um ano depois de tomar posse?

João Marcelino Tyipinge – A Huíla é uma província em franco desenvolvimento. Sendo a segunda em termos de população, a seguir Luanda, devia receber mais recursos para melhor servir a população.

JA – Neste espaço de um ano, quais foram os pontos fortes e fracos?

JMT – Aceitei o cargo de governador desta província para enfrentar os desafios que temos pela frente. A vida é assim mesmo, um incessante derrubar de obstáculos. Nessa luta, graças à experiência adquirida ao longo de vários anos, os problemas e as dificuldades já não me assustam. o importante é saber transpô-los. Os meus colaboradores estão a dar ajuda à minha governação.

JA – Como superou os pontos fracos?

JMT – Diante dos problemas e das dificuldades procuro estar sereno, contando sempre com os colaboradores que me rodeiam.

JA – Existe contestação à sua governação. Qual a estratégia que está a usar para convencer os críticos?

JMT – A contestação e as críticas são normais! É natural que existam os que se revêem em mim e aqueles que assumem uma atitude contrária. Mas eu estou aqui para servir a todos, com a colaboração de todos, animado por um espírito de justiça, equidade e imparcialidade. É dessa forma que, certamente, conquistarei os que contestam e os cépticos. A oposição existe para contestar, dentro das normas da democracia.

JA – Como líder partidário ganhou as eleições elegendo todos os deputados deste círculo. Como se sente agora na gestão da coisa pública?

JMT – Conheço bem a província da Huíla, as suas gentes e o universo dos seus problemas. Há muito que me adaptei às situações que aqui se vivem. Toda a minha carreira política foi aqui feita. Aqui nasci e estudei.

JA – O primeiro ano de governo foi positivo?

JMT – Estamos no bom caminho. A população está a ver os esforços que fazemos. Não estamos com os braços cruzados. A energia vai melhorando, com a construção de mais duas centrais térmicas na Arimba e na Subestação Eléctrica. O problema da água no Lubango está a ser resolvido. Mas ainda leva algum tempo. Estamos a realizar grandes investimentos na cidade do Lubango. O fornecimento de energia nos municípios e comunas está assegurado com os geradores e o Programa Água Para Todos está a resolver os problemas de abastecimento em todos os municípios.

JA – Há um programa específico para fornecer água e energia ao sector industrial?

JMT – Muito está a ser feito, e com sucesso, para que todos se sintam bem. Tenhamos paciência e esperança.

JA – Há algum plano especial para a estiagem?

JMT – Sim, existe um plano para debelar essa calamidade com a construção de mais pontos de água.

JA – Nas suas intervenções públicas, destaca sempre os feitos da educação e saúde. Como evoluíram esses sectores?

JMT – Muitas infra-estruturas estão a ser construídas e tudo está a ser feito para melhorar, cada vez mais, esses sectores, que são vitais. No sector da Educação estão disponíveis 6.293 salas apetrechadas com mobiliário. Só no ano passado, foram construídas mais 19 escolas em vários pontos da província. A evolução na Educação reflecte-se no número de alunos matriculados este ano lectivo que está acima dos 817 mil, dos quais 55 mil crianças ingressaram pela primeira vez. O número de crianças fora da escola tem estado a baixar todos os anos.

JA – O que está previsto para o sector agro-pecuário?

JMT – Para o sector agro-pecuário estão previstos os tradicionais incentivos tanto por via da cabimentação orçamental central, como por intermédio de créditos bancários disponibilizados para o sector privado e camponês.

JA – Considera satisfatórios os actuais níveis de produção agrícola e pecuária?

JMT – De ano para ano, registamos melhorias, em todos os aspectos. O governo está a corresponder às expectativas dos huilanos e agora é preciso reforçar a capacidade de comercialização. Mas, em algumas regiões, o quadro é diferente devido às secas prolongadas dos últimos três anos.

JA – Que avaliação faz da feira realizada no mês de Agosto?

JMT – Na nossa história recente, esta feira é realizada todos os anos e nos períodos programados. A avaliação que faço desta iniciativa é positiva.

JA – Os empresários estão a responder aos desafios da província?

JMT – Na Huíla, temos um empresariado dinâmico, forte e em franco desenvolvimento que está a transformar a nossa província.

JA – Há algum plano para recuperar as vias secundárias?

JMT – Sim, há planos. Algumas obras avançam com recursos do Governo central e outros são de âmbito provincial e municipal, embora ainda não sejam suficientes, se tivermos em conta o estado avançado de degradação das vias secundárias e terciárias.

JA – Como caracteriza a componente mineira da província?JMT – Já se cumpriu a primeira fase de prospecção e pesquisa do minério de ferro e do ouro. Decorre o processo de avaliação destes projectos. Tudo indica que, no momento certo, podemos avançar para a fase seguinte.

JA – Confirma que é insignificante a arrecadação de receitas na Huíla?

JMT – Sim, é insignificante se tivermos em conta o volume das transacções que se operam na província da Huíla.

JA – As infra-estruturas disponíveis são suficientes?

JMT – Acho que as condições disponíveis são adequadas, sobretudo nos caminhos-de-ferro e nas estradas nacionais, embora seja preciso exigir mais qualidade na construção das estradas, pois algumas apresentam sinais de deterioração, apesar de ser recente a sua reabilitação.

JA – Tem alguma informação sobre o início da circulação do comboio de carga?

JMT – O comboio de carga praticamente já está a funcionar, o mesmo para o comboio de passageiros.

JA – Que avaliação faz do programa de combate à pobreza?

JMT – É o programa mais aplaudido pelo povo. Por isso, a minha avaliação é positiva. A nível da província, dos vários projectos de impacto social e económico, foram entregues às populações 313 obras concluídas, entre escolas, fogos habitacionais, comandos e postos policiais, tanques banheiros e mangas de vacinação, fábricas de blocos, centros médicos, postos de saúde, farmácias, sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável. Constam também geradores de energia, administrações municipais e comunais ampliadas e construídas, parques infantis, clubes recreativos, 30 quilómetros de estradas terraplanadas em três municípios. Estão em fase conclusiva 169 projectos.

JA – E o Programa de Investimentos Públicos?

JMT – É o programa que tem como objectivo alavancar a economia do país. De uma forma geral, está a surtir os efeitos esperados, embora alguns mecanismos necessitem de ser melhorados.

JA – Os administradores municipais estão a falhar?

JMT – Os administradores municipais têm dado, dentro do possível, as suas prestimosas contribuições para o desenvolvimento da província. Os programas são novos e todos eles estão na fase de aprendizagem.

JA – Qual é o município que considera estar melhor em termos de execução dos programas? 

JMT – Este tem que ser o meu segredo. Não é muito ético dizer publicamente quem trabalha mais e quem trabalha menos. No momento e lugar certo, posso dizer algumas coisas sobre o assunto.

JA – Como decorre a execução dos projectos habitacionais?

JMT – O projecto das novas centralidades decorre bem. Os pequenos atrasos e algumas falhas estão a ser corrigidos.

JA – Quais as grandes preocupações na cidade do Lubango?

JMT – As maiores preocupações na cidade do Lubango têm a ver com a água, energia e saneamento básico. Também, é minha preocupação ajudar os moradores retirados dos bairros para a periferia da cidade, por motivos justificados. É nosso dever proporcionar-lhes uma vida condigna, colocando ao seu dispor infra-estruturas sociais adequadas, no domínio da saúde e da educação. Nesse particular, pedimos mais disciplina aos cidadãos, no que diz respeito à utilização dos espaços da cidade para construção de habitação.

JA – O que está no centro das suas preocupações?

JMT – O trabalho de toda a minha equipa e também a participação da sociedade civil, que não deve ficar à margem dos acontecimentos. A equipa que compõe o Governo Provincial da Huíla deve mostrar aos huilanos mais trabalho, a fim de contribuir para a solução gradual das dificuldades.

JA – Como decorrem os projectos das novas vias estruturantes na província?

JMT – Os projectos de abertura de novas vias estruturantes não são novos, são bastante antigos, vêm desde a era colonial. O que se tem feito, é apenas repor e corrigir a confusão que foi criada pela guerra, tendo em conta, também, os actuais desafios.

JA – Há algum projecto para a urbanização dos bairros dos arredores da cidade?

JMT – Não há um projecto como tal, mas temos algumas ideias que podem guiar-nos para a concretização de algumas acções nesse sentido. Já estamos a trabalhar nos esboços da urbanização do bairro “Sófrio” e do bairro “A Luta Continua”.

JA – Está satisfeito com o apoio das populações ao seu trabalho?

JMT – Estou muito satisfeito e quero agradecer às huilanas e aos huilanos pelo apoio que me têm dado. Quero ainda pedir a todos que sejamos construtores da unidade e da paz, num ambiente de reconciliação.

Fonte: Jornal de Angola

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