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Democratas mas com a liberdade em cinzas

weefwfA democracia não é compatível com o racismo. Quem colaborou de armas na mão com o regime racista de Pretória, que os angolanos ajudaram a derrubar no Triângulo do Tumpo, pode ser tudo, até galo, mas não é democrata.

Quem carregou lenha para as fogueiras onde foram imoladas mulheres angolanas na parada do acampamento da Jamba, pode ser tudo, até extra-terrestre, mas democrata, nunca.

O senhor deputado Jaka Kamba fez declarações interessantes ao Jornal de Angola a propósito do 11 de Novembro.

O que é um avanço significativo num dirigente da UNITA de Samakuva.

Um político que queira ser levado a sério não invoca quem destruiu um país, alugou as armas ao apartheid, lançou milhões de angolanos na fome e na pobreza, matou milhares de inocentes e por fim até se atirou a ele para a morte
Angola nasceu como uma “República Popular” porque tinha de ser. Foi o Povo Angolano que conquistou a Independência Nacional, sob a liderança do MPLA. Os angolanos não ficaram à espera de ordens de ninguém, nem sequer de armas, para lutarem pela liberdade. Jaka Jamba sabe disso. Quando os colonos ricos aderiram à UNITA e fizeram de Savimbi o “Muata da Paz”, os esquadrões da morte começaram a massacrar as populações dos bairros pobres.

Isso não é democracia.

Democratas foram os que se puseram ao lado dos deserdados, dos oprimidos e os libertaram dos matadores. Falo apenas das camadas mais politizadas da sociedade, os estudantes, artistas, intelectuais, quadros técnicos, os jovens soldados, sargentos e oficiais angolanos que estavam nas fileiras das forças armadas portuguesas. Mas também do Passarão, Sabata, Sandokan, Bandeira Rasgada e outros angolanos que da marginalidade saltaram para a luta de libertação do seu povo. A nossa democracia era popular.

Jaka Jamba não pode ligar o conceito de democracia à UNITA porque sabe perfeitamente que “não pega”. Vou recordar-lhe que quando era secretário de Estado da Comunicação Social no Governo de Transição, conluiado com a FNLA e o Alto-Comissário Silva Cardoso quis impor a censura prévia aos noticiários da Emissora Oficial de Angola. Não há democratas censores!

O alvo foi a Rádio porque na época era o único órgão de informação que os colonos ricos, a FNLA e a UNITA não controlavam. Em rigor, o que se pretendia era silenciar o MPLA. A censura também “não pegou”.

Agora vou invocar um argumento que sai do coração. O comandante Joaquim Capango era um homem excepcionalmente bom. Um angolano de dimensão incomensurável. Lutou pela libertação nacional como ninguém. Um grande dirigente.
Quando Lúcio Lara chefiou uma delegação do MPLA que em 10 de Dezembro de 1974 inaugurou a delegação do movimento no Huambo, fizemos uma grande festa. O Dudu cantou e tocou o “procuro um leão” poema de Rui de Matos, que também esteve presente. Pepetela estava lá. Também o engenheiro Feio, que o meu pai dizia ser o “miúdo mais bem educado da Vila Clotilde”, Fernando Pacheco, Carlos Fernandes e muitos outros participaram na festa. Joaquim Capango desde aquele dia  representou o MPLA na província. Quando Jaka Jamba e seus colegas da UNITA no Governo de Transição foram para o Huambo, começou a caça aos militantes do MPLA: Mataram quase todos os jovens quadros do movimento. Só escaparam os que fugiram para o quartel da tropa portuguesa. Os oficiais portugueses protegeram Joaquim Capango e levaram-no para as instalações militares. Um dia foi escoltado até um avião da Ponte Aérea a fim de se juntar aos seus camaradas da direcção do MPLA em Luanda.

Os soldados do partido do senhor deputado Jaka Jamba foram dentro do avião, armados até aos dentes e ante a indiferença da tropa portuguesa, levaram-no preso. Foi friamente assassinado por ordem de Savimbi.

Quem tem às costas crimes tão horrendos, jamais será democrata. Nem popular. Mas da coligação daquele tempo, ELP, Esquadrão Chipenda, direcção do apartheid, só os dirigentes da UNITA que foram salvos pelo Presidente José Eduardo dos Santos em 2002, continuam em grande e comportam-se como vencedores. Têm razão. Na verdade, nasceram duas vezes.

Fonte:Jornal de Angola/Jambakiaxi

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This entry was posted on 14 de Novembro de 2014 by in Politica and tagged , , , , .

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