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Rafael Marques é um activista imparcial e ofendido

saascdsaO homem é um activista político, defende causas, ataca interesses, toma partido por tudo o que entende e fica ofendido na honra por não o considerarem imparcial?

A coisa começou com um artigo que escrevi no Briefing, Rafael Marques sentiu-se ofendido e resolveu fazer queixa às autoridades judiciais portuguesas.

Achei que esta iniciativa de Rafael Marques era irónica: um tipo que se autoproclama defensor dos direitos do homem, seja isso o que for, não admite que um paisano como eu possa publicar a sua opinião de maneira civilizada numa publicação profissional!

A queixa era de ofensa por injúrias. Alguém explicou que injúrias não podia ser, mas o nosso Ministério Público foi lesto a alterar de injúrias para difamação.

Pedi entretanto para serem comprovadas as habilitações profissionais do ofendido e que lhe pedissem o recibo que provará que ele foi pago pelo editor. Mas a Justiça portuguesa, pelo menos nesta fase inicial, não atendeu os meus pedidos.

Entretanto surgiram confissões de que Rafael Marques foi pago, pelo menos durante 7 anos, por uma organização financiada pelo especulador filantropo George Soros, e que, em determinada ocasião, o primeiro chegou a recusar meio milhão de US dólares do segundo.

Agora, no despacho de pronúncia, a coisa mudou de figura e já sou acusado de algo completamente diferente e inusitado: de ter posto em causa a imparcialidade de Rafael Marques. Sim, leram bem, a i-m-p-a-r-c-i-a-l-i-d-a-d-e de Rafael Marques.

A verdade é que não o fiz (e não o fiz porque, enfim, nem me passou pela cabeça acusá-lo de algo tão evidente aos olhos de toda a gente). E, se o acusasse de não ser imparcial, estava a ofendê-lo em quê? É ele árbitro de futebol para gozar da presunção de imparcialidade?

Porra, o homem é um activista político, ganha a vida a defender causas (algumas das quais, aliás, com a minha modesta concordância) toma partido por tudo o que entende, e… fica ofendido na honra por não o considerarem imparcial?

Como dizia a anedota: “com esta é que me tramaram”. De facto julgaria eu que Rafael Marques se sentisse ofendido por o considerarem imparcial. Mas não. Ele acha-se imparcial e fica ofendido por não o reconhecerem. E a senhora juíza de instrução acha que sim.

Pronto, lá vamos andar uns anos a gastar o dinheiro dos contribuintes portugueses a discutir se o activista angolano Rafael Marques é imparcial ou não é imparcial.

Enfim, como somos um país rico e sem problemas, com um sistema de Justiça a funcionar na perfeição e com tempo livre, podemos dar-nos a estes luxos.

Dano colateral desta treta: como Rafael Marques e a nossa Justiça me querem obrigar a pensar no processo nos próximos anos vou ter muitas oportunidades para escrutinar a imparcialidade de Rafael Marques e de ir identificando a sua rede de patrocinadores. É a vida.

Fonte:Angop/Jambakiaxi

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This entry was posted on 7 de Dezembro de 2014 by in Politica and tagged , , , .

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