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Engarrafamentos com os dias contados

qwdwdqwCom 6,5 milhões de habitantes e mais de dois milhões de viaturas em circulação, Luanda tem nos congestionamentos de trânsito um dos principais factores de estrangulamento, com reflexos negativos na qualidade de vida e na saúde dos seus habitantes.

A economia também sofre com os gigantescos “engarrafamentos”.
Todos os dia úteis são observadas enormes filas de carros nas horas de ponta, nas vias principais, como as que ligam Viana aos Congoleses, Quicolo à Cuca e São Paulo, a rotunda de Camama ao Golfe, do bairro Rocha Pinto à Mutamba e do Mundo Verde à Multiperfil.
Para os moradores das zonas periféricas que têm emprego na Baixa da cidade, a solução é madrugar. Morador em Viana, João Adão, há sete anos que tem a mesma rotina: parte de casa às quatro da manhã para chegar ao emprego a tempo e horas: “Saio a esta hora para evitar os engarrafamentos e conseguir lugar para estacionar o carro”, disse.
A técnica de contabilidade Domingas Madalena vive na Centralidade do Kilamba e trabalha numa empresa pública na Maianga: “Por norma, chego ao trabalho por volta das 5h40. Estaciono bem o carro e ainda aproveito para dormir um pouco no carro”.
Para Madalena, vale o esforço de acordar muito cedo e chegar sossegada ao local de trabalho, porque evita o stress dos congestionamentos do trânsito. “É um grande sacrifício e não sei se vou conseguir chegar aos 60 anos”, brincou a jovem.
Para transitar de um ponto para outro de qualquer parte da província de Luanda, os automobilistas perdem muito tempo. As vias atingiram o nível máximo da capacidade de escoamento. Luanda não tem estradas suficientes para tantas viaturas, disse ao Jornal de Angola o engenheiro Paulo Gai, do Ministério da Construção.

Corredores Exclusivos

A situação preocupa o Executivo, que decidiu avançar com um  sistema rápido de transportes públicos, também conhecido por “BRT” e cuja conclusão está prevista para 2016. Esta solução passa pela criação de corredores exclusivos para os táxis e autocarros.
O “BRT” é um sistema de alta capacidade de transporte sobre rodas, com viagens mais rápidas e funciona em vários países do mundo, que procedem a adaptações de acordo com a realidade objectiva de cada um. São vias exclusivas para circulação de transportes públicos e os passageiros ao entrarem numa estação de acesso aos autocarros, tem já o bilhete nas mãos.
“As pessoas devem obter o bilhete antes de entrar na estação. Os bilhetes vão ser adquiridos em locais assinalados, para facilitar o movimento rápido que se pretende na circulação dos autocarros”, explicou a engenheira Laura Alfredo.
Com este sistema, “vamos dar resposta às necessidades na Centralidade do Kilamba, nos pólos habitacionais de Camama e Viana. Vamos atender também a cidade universitária, porque criamos estações próximas, para facilitar a deslocação dos estudantes”, concluiu o engenheiro Paulo Gaio. A par do “BRT”, existem projectos para a construção de 410 quilómetros de vias principais e 621 quilómetros de vias secundárias, para permitir maior fluidez ao trânsito na cidade. Para a realização das obras, é necessário remover as bombas de combustíveis da Sapu e alguns armazéns localizados no percurso das vias. O Ministério da Construção já está em contacto com o Ministério do Comércio para se encontrar uma solução. O “BRT” prevê a construção de vias com duas faixas de rodagem para transportes rápidos de passageiros, passagens de nível superiores e corredores de acesso a diferentes zonas da cidade, de modo a permitir o transporte de 45 mil passageiros por hora e criar uma ligação entre o Sul e Norte da cidade.

Vários sectores envolvidos

As vias a ser construídas estão divididas por lotes. O Lote 1 liga o Lar do Patriota à estrada do Golfe, com passagem pela Rua Comandante Dangareux. O Lote 2 sai do Golfe, atravessa o bairro Catinton e chega à Corimba. O Lote 3 vai de Camama a Viana, via Sapu, até à zona da Estalagem.
O início das obras do Lote 3 foi adiado devido às famílias que vivem no traçado da via e que aguardam por realojamento nas zonas do Zango, Quiçama ou no Bengo. No âmbito do projecto de construção dirigida, o Ministério da Construção tem contactos com o Ministério do Urbanismo e Habitação para aquisição de terrenos nas reservas fundiárias do Estado, destinados à construção de habitações.
Para sensibilizar a população a colaborar no processo, estão previstas acções de informação e divulgação. Estão envolvidos no projecto os ministérios da Construção, dos Transportes e da E­nergia e Águas.
O Ministério da Construção assume a responsabilidade de construir todas as infra-estruturas rodoviárias. O Ministério dos Transportes tem a responsabilidade da construção das estações de acesso aos autocarros e do posto central de comando, que vai dirigir as operações de circulação dos veículos longos.
O Ministério dos Transportes também faz a aquisição dos meios de transporte.  O Ministério da Energia e Águas vai garantir a prestação dos serviços de abastecimento.

Dezenas de autocarros

O ministro da Construção, Waldemar Pires, visitou as obras em curso, acompanhado do ministro dos Transportes, Augusto Tomás, e do governador da província de Luanda, Graciano Domingos, engenheiros e técnicos dos três sectores.
No final da visita, o ministro Augusto Tomás revelou que vão ser construídas 28 estações. E nos corredores exclusivos para os transportes públicos vão circular 240 autocarros.
O ministro da Construção, Waldemar Pires Alexandre, garantiu que o projecto vai melhorar a mobilidade rodoviária em Luanda, na medida em que, “com os transportes colectivos em funcionamento, o número de veículos privados em circulação na cidade vai diminuir”. O levantamento topográfico, a investigação geotécnica, a limpeza dos terrenos já foram efectuados. Neste momento as máquinas estão a  fazer escavações e terraplanagens.

Fonte:Jornal de Angola/Jambakiaxi

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This entry was posted on 24 de Dezembro de 2014 by in Politica and tagged , .

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