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A morte de um líbio nos EUA envolvida em grande polémica

dsdsdO anúncio da morte do líbio Abu Anas al-Liby, cidadão de 50 anos e que estava preso nos Estados Unidos por alegada participação na preparação, em 1998, de ataques terroristas contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quénia e na Tanzânia, volta a levantar a questão relacionada com a forma como os norte-americanos tratam e por vezes se livram dos seus prisioneiros.

Abu Anas al-Liby, que tem como verdadeiro nome Nazih Abdul al-Ruqai, tinha sido capturado por comandos norte-americanos em 2013 durante um raide bem sucedido contra uma determinada morada localizada nos arredores de Tripoli.

Depois de capturado, numa acção que levou o próprio Secretário de Estado, John Kerry, a defender-se das acusações líbias sobre violação do seu direito de soberania, al-Ruqai foi levado para os Estados Unidos a bordo de um navio de guerra.

Durante a viagem foi “detalhadamente” interrogado por uma equipa especializada da CIA, que acompanhou de muito perto o desenrolar dos acontecimentos  e só posteriormente foi entregue aos agentes do FBI.  Segundo a imprensa norte-americana, quando chegou aos Estados Unidos o prisioneiro tinha confessado, entre coisas que permanecem no segredo dos deuses, sofrer de hepatite C que o obrigava a receber tratamento médico constante e muito cuidadoso.

Ao fim de quase dois anos e quando se preparava para comparecer pela primeira vez em tribunal, no próximo dia 12 de Janeiro, eis que as autoridades norte-americanas, surpreendentemente, anunciam a sua morte devido a um “cancro no fígado”.

A história podia ficar por aqui se não fosse a esposa do falecido ter vindo imediatamente a público denunciar o “assassinato” do seu marido por parte das mesmas pessoas que o “raptaram” em 2013. “Trata-se de um homem completamente inocente e que foi vítima de uma cabala montada pelos norte-americanos para tentarem justificar os atentados ocorridos em 1998 contra as suas embaixadas em Nairobi e Dar esSalaam”, disse a senhora Um Abdullah a jornalistas ocidentais que com ela se encontraram num hotel de Tripoli. Nesse encontro a viúva de al-Ruqai, que estava acompanhada pelo seu advogado, disse ser sua intenção desencadear um processo crime contra o governo dos Estados Unidos a quem considera responsável pela morte do marido uma pessoa que ela disse “sempre ter sido saudável”.

Diversas organizações norte-americanas e internacionais, que se dizem defensoras dos direitos humanos, estão a acompanhar o caso de muito perto e exigiram que os Estados Unidos respondam às acusações que agora são feitas para que tudo se possa esclarecer.

Quando em 2013 John Kerry foi obrigado a explicar-se sobre o raide dos comandos norte-americanos que levaram à captura do homem pela cabeça de quem o FBI oferecia uma choruda recompensa de cinco milhões de dólares, não ficou claro o processo através do qual os Estados Unidos o consideraram responsável pela colocação de bombas nas suas embaixadas do Quénia e da Tanzânia, em 1998, que provocaram a morte de 220 pessoas.

A morte de al-Ruqai, justamente dez dias antes do início do seu julgamento, surge numa altura em que ainda estão frescos os efeitos das investigações sobre a forma como as autoridades norte-americanas conduziram os interrogatórios contra suspeitos de envolvimento nos ataques de 11 de Setembro.O próprio Presidente Barak Obama, que na campanha eleitoral para o seu primeiro mandato havia prometido encerrar a prisão de Guantánamo, onde ocorreram grande parte desses interrogatórios, voltou agora a falar do assunto e a garantir que vai cumprir essa promessa antes de abandonar a Casa Branca.

Seja por justificadas razões de segurança ou por injustificado capricho do funcionamento do seu sistema penal e judiciário, os norte-americanos raramente dão explicações sobre determinadas atitudes em relação à actuação das suas instituições.

A transparência que eles exigem a determinados países, sobretudo do continente africano,  é para os Estados Unidos um verdadeiro tabu, que eles guardam com grande rigor fazendo mesmo disso uma espécie de “imagem de marca”. Atitudes deste tipo, por muito boas razões que que lhes possam estar subjacentes, são indiciadoras de uma reiterada vontade em não respeitar todos os países no mesmo pé de igualdade o que seria para os Estados Unidos minimamente exigível uma vez que se assumem como uma espécie de “sherifes do mundo”.

No caso concreto da Líbia a situação é ainda mais grave uma vez que se trata de um país que os Estados Unidos ajudaram a destruir, assassinando o seu líder histórico para colocar no seu lugar um governo quenão tem o direito soberano de saber o que eles lá vão fazer.

O pior é que a história nos diz que o que se passou neste caso com a Líbia, por muito justas que tenham sido as razões, não está livre de suceder a um qualquer outro país, sobretudo se for do continente africano, conforme, aliás, é repetidamente visto em filmes de produção norte-americana, onde frequentemente se vêm intervenções de “comandos” em África para punirem “governos corruptos”.

Fonte:JA/Jambakiaxi

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This entry was posted on 5 de Janeiro de 2015 by in Politica and tagged , , , , .

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