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O congresso da FNLA, um partido em crise permanente

regwergConclave será aberto hoje com quatro candidatos à presidência e a incerteza de um boicote por parte de dissidentes.

Hoje arranca, em Luanda, o IV Congresso da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), que apresenta quatro candidatos à liderança. O actual presidente, Lucas Ngonda, é o principal candidato e concorre à reeleição. No entanto, o partido continua a ser um estilhaço sem rumo aparente.

Segundo Laiz Eduardo, em conferência de imprensa realizada quarta-feira, em Luanda, o conclave vai “debater a revisão dos estatutos, a situação política e social do país, a realização de eleições autárquicas e as perspectivas para a participação no próximo pleito eleitoral”.

Está ainda prevista a eleição do presidente do partido, entre quatro candidatos, nomeadamente Lucas Ngonda, que concorre à sua própria sucessão, José Fernando Fula, Fernando Pedro Gomes e David Martins.

Laíz Eduardo disse também que o fórum vai contar com 1.501 delegados, 321 dos quais vindos da ala de Ngola Kabangu, que contesta a liderança do actual líder, Lucas Ngonda. O caso chegou mesmo ao Tribunal Constitucional, que deu razão a Ngonda e inutilizou os protestos de Kabangu, que pretendia impugnar o congresso de 2010.

Apesar da decisão da justiça, no terreno as divisões mantém-se. Segundo apurou o RA, o complexo 15 de Março não tem as devidas condições para a realização do congresso. Até ao final do dia de ontem, quinta-feira, grande parte dos delegados ainda não estava em Luanda.

Numa outra conferência de imprensa, realizada também na quarta-feira, em Luanda, os militantes da FNLA da ala de Ngola Kabango contrariam a versão oficial e explicam que decidiram não participar, alegando que é preciso dialogar para pôr fim às divergências.

De acordo com o coordenador da comissão para o diálogo interno da FNLA, Nimi a Simbi, citado pela Angop, caso não exista concertação entre as duas alas, subsiste a possibilidade de “boicote” do congresso marcado para hoje “mas sem ser necessário concretizar actos de vandalismo”.

Mesmo assim, a troca de acusações continua. “Não existem alas, nem partes, no seio da FNLA. Há apenas indivíduos que reclamam por estatutos que não lhes são merecidos”, disse Laiz Eduardo, acusando Ngola Kabangu de não ter projecto político para o partido e para o país. “Ele quer ser presidente a todo custo, sem o mínimo respeito pelas normas”.

Pedro Gomes, que falou ao RA há cerca de duas semanas, defende a “democratização da FNLA”. “Considero que algumas pessoas estão de má-fé nesta história. Nunca deixei de lutar para a unidade do partido – unidade, coesão e organização interna são as minhas palavras de ordem”, frisa o candidato à liderança da FNLA.

Os outros dois, David Martins e José Fernando Fula, assumem um discurso parecido e ressalvam a “necessidade de democratizar a FNLA”. Aparentemente, Lucas Ngonda parte com uma grande vantagem na corrida à liderança – ainda que para muitos militantes do histórico partido esta não seja uma boa notícia.

Tempos atribulados

A FNLA é hoje acusada de ser um mecanismo pró-forma no edifício democrático do país. Ao longo das duas legislaturas do pós-guerra (a primeira, no período entre 2008-2012, e a segunda, de 2012 até agora) por várias vezes ficou a sensação de que a oposição ao governo do MPLA é apenas uma formalidade.

Foram registados vários momentos de alinhamento, em plena Assembleia Nacional, entre a FNLA e o MPLA. Ainda recentemente, durante a discussão e votação do polémico Orçamento Geral do Estado 2015 (antes do orçamento rectificativo que está agora na Assembleia Nacional), a FNLA votou a favor, alinhando com a proposta do governo e com o Partido de Renovação Social (PRS).

Por outro lado, desde a morte de Holden Roberto, em 2007, que a FNLA se tornou um partido de alas, grupos e aliados tácitos. O clima de divisão foi aproveitado pelo MPLA para desmerecer a oposição sem precisar de avançar com grandes críticas.

O espectáculo da luta interna é suficiente para fazer os cidadãos duvidar da capacidade do partido – a imprensa pública dá a pancada final ao assumir uma linha pró-MPLA, não dando espaço ao contraditório, nem a uma cobertura política equilibrada.

Ao longo dos anos, a FNLA foi sofrendo as consequências de uma independência marcada pelo longo conflito armado. Logo nos meses que antecederam o 11 de Novembro de 1975, o MPLA conseguiu expulsar a FNLA da cidade de Luanda, violando dessa forma os Acordos de Alvor, acusando aquele partido de estar a introduzir grandes quantidades de armas e militares na capital.

Depois, no período de partido único, que durou de 1975 até 1992, a oposição política e militar foi completamente diabolizada e ilegalizada. Eram sinais dos tempos. A FNLA tinha ainda o problema de ser tida como uma organização apoiada pelos norte-americanos e pelo Zaire de Mobutu (actual República Democrática do Congo – RDC).

As ligações eram óbvias. Mas também é verdade que a União dos Povos de Angola (a UPA, percursora da luta de libertação, que depois deu origem à actual FNLA) aglutinava elementos provenientes de várias regiões do país. Inclusivamente do centro e sul.

Actualmente, a ideia que está sempre presente – devido à retórica do partido único e a todos os processos históricos e políticos associados – é que a FNLA é uma organização quase apenas dos Bakongo (Luanda-Bengo-Zaire-Uíje). E, por consequência, é acusada de não apresentar um projecto político nacional e suficientemente inclusivo.

Acontece que a realidade não é bem esta. A FNLA continua a ter uma base de apoio relativamente larga, mesmo junto de camadas mais jovens – devido à sua importância histórica, por ser uma emanação do processo de luta de libertação e por estar associada a gerações de nacionalistas que granjeiam muito respeito ao nível da sociedade angolana.

Fonte:Rede Angola/JAmbakiaxi

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This entry was posted on 13 de Fevereiro de 2015 by in FNLA, Politica and tagged , , , , .

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