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FMI alerta para “período duro” em 2015

FMIEm visita a Luanda, missão de assistência técnica afirma que o ajuste da economia pela parte fiscal “é necessário”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que Angola vai passar por um “período duro” em 2015, devido à quebra na cotação do barril do petróleo, mas que o ajuste da economia pela parte fiscal “é necessário”.

A posição foi assumida pelo chefe da missão de assistência técnica do FMI, que se encontra em Luanda desde ontem para reuniões de trabalho com o executivo no âmbito da supervisão financeira.

“Acho que é um período duro que Angola e os angolanos vão passar [em 2015], mas infelizmente é necessário este tipo de ajuste que está sendo feito, principalmente na parte fiscal”, apontou Ricardo Velloso, em declarações aos jornalistas no final do primeiro dia de reuniões.

Em menos de um ano, trata-se da quarta visita de técnicos do FMI ao país, desta vez para preparar a consulta anual no âmbito do artigo IV do Acordo Constitutivo com aquele organismo internacional, a ter lugar no início do segundo semestre de 2015.

Esta visita decorre, contudo, em pleno processo de revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano, motivado pela quebra na cotação internacional do barril de petróleo, e que já foi entregue na Assembleia Nacional. O documento revê as metas de crescimento, corta mais de 25 por cento da despesa e revê a cotação prevista da exportação do barril de petróleo de USD 81 para USD 40.

“Estamos muito bem impressionados com a reacção rápida das autoridades ao proporem um projecto revisado do orçamento para 2015, com um preço do petróleo mais em linha com o que está acontecendo no mercado hoje em dia”, indicou ainda Ricardo Velloso.

A visita desta delegação ao país prolonga-se até sábado e prevê reuniões de trabalho na quarta e quinta-feira com vista à preparação das recomendações sobre a situação económica, na perspectiva do FMI, entre as quais o fim dos subsídios aos combustíveis.

“Angola tem um futuro brilhante à sua frente e realmente é preciso passar por este ano difícil, de quebra rápida, inesperada e muito violenta do preço do petróleo”, apontou Ricardo Velloso.

O OGE para 2015, revisto pelo executivo devido à quebra na cotação do petróleo, destina mais de USD 17 mil milhões para a componente social e foi entregue a 12 de Fevereiro no parlamento.

O documento reduz a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 6,6 por cento, contra os anteriores 9,7 por cento. O peso da exportação do petróleo nas receitas fiscais deverá contudo cair dos 70 por cento de 2014 para cerca de 36,5 por cento este ano, estando previsto ainda um défice nas contas públicas de 6,2 por cento do PIB, contra os 7,6 por cento do OGE ainda em vigor.

Esta revisão das contas públicas prevê a redução do total das receitas do Estado – envolvendo receitas fiscais, patrimoniais e de endividamento – de Kz 7,2 biliões para Kz 5,4 biliões, com despesas fixadas em igual valor.

Traduz-se por isso num corte global de 25 por cento das despesas, face ao documento que entrou em vigor a 1 de Janeiro.

Entre outros indicadores, a revisão do OGE mantém a perspectiva de produção diária de 1,835 milhões de barris de petróleo e o crescimento deste sector em 9 por cento, enquanto o sector não petrolífero deverá aumentar 5,3 por cento em 2015.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África subsariana, tendo o crude garantido 76 por cento das receitas fiscais de 2013 e 98 por cento do total das exportações.

Fonte:Rede Angola/Jambakiaxi

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This entry was posted on 18 de Fevereiro de 2015 by in Economia, Politica, Sociedade and tagged , , , , , .

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