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Receita do petróleo pode estar subestimada

jggjAnálise do BPI baseia-se na diferença entre o preço do petróleo previsto no Orçamento rectificativo e a perspectiva de evolução do preço nos mercados internacionais.

A unidade de estudos económicos e financeiros do BPI considera que a receita petrolífera de Angola pode estar subestimada, oferecendo uma “almofada” ao Governo, que orçamentou o preço do barril de petróleo a USD 40.

“A receita petrolífera poderá estar a ser subestimada, ocorrendo a situação inversa (sobre-estimação) das receitas oriundas dos restantes sectores”, lê-se na análise aos principais mercados em Março.

A análise do BPI baseia-se na diferença entre o preço do petróleo previsto no Orçamento rectificativo (USD 40 dólares/barril) e a perspectiva de evolução do preço nos mercados internacionais, entre os USD 50 e 60.

“Ainda que prevaleça alguma incerteza relativamente à velocidade a que os preços podem recuperar nos próximos meses e para que patamares, os dados recentes sugerem que o preço do Brent poderá estabilizar em torno dos USD 50 a USD 60″, escrevem os analistas do BPI, notando que “face a estes desenvolvimentos, as autoridades angolanas alteraram os pressupostos” do Orçamento, mantendo uma “postura conservadora relativamente às finanças públicas”, cortando para mais de metade o preço do barril de referência.

“Desta forma o governo reviu em baixa o preço de referência do barril de petróleo para USD 40, comparativamente aos USD 81 que tinham sido considerados no orçamento inicial de 2015″, sublinha a unidade de análise económica do banco português.

A análise do BPI aos principais mercados financeiros dedica várias páginas a Angola, concluindo que os indicadores apresentados por Luanda no Orçamento rectificativo configuram um “cenário macroeconómico mais conservador”, mas ainda assim antecipa-se uma ligeira expansão do PIB face aos valores inicialmente previstos no Orçamento de 2015 – de 4,4 por cento para 4,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado.

“Ainda que as estimativas para o crescimento do PIB de 2014 tenham sido revistas moderadamente em alta (de 4.4 por cento para 4.7 por cento), as perspectivas de crescimento para 2015 são mais conservadoras, tendo a previsão de crescimento real do PIB sido revista em baixa para 6,6 por cento, comparativamente a um crescimento de 9,7 por cento estimado em Outubro”, dizem os analistas do BPI, concluindo que “o crescimento económico continuará a ser liderado pela expansão do setor petrolífero, apesar do crescimento da actividade deste sector ter sido revisto em baixa de 10,7 por cento no OGE 2015 para 9,8 por cento no OGE 2015″.

Sobre a produção de petróleo, a principal fonte de receita do Estado, o BPI diz que “as autoridades mantêm o seu objectivo de recuperar o nível médio da produção diária para 1,83 milhões de barris (mdb) por dia (vs. 1,66 mbd em 2014), um cenário relativamente optimista, não obstante os desenvolvimentos positivos relativamente à entrada em funcionamento de novos poços”.

A descida dos preços do petróleo, de resto, já deverá ter tido um efeito assinalável nas contas públicas do ano passado, mas o abrandamento na execução da despesa deverá ter influenciado positivamente o défice orçamental, que deverá ter sido de 3,1 por cento do PIB face aos 4,9 por cento inicialmente previstos no Orçamento de 2014.

“Os dados preliminares de execução orçamental de 2014 sugerem que a queda do preço do petróleo já deverá ficar parcialmente refletida nas contas públicas de 2014″, diz o BPI, pormenorizando que “as receitas totais deverão ter ficado cerca de Kz 422 mil milhões [USD 3,9 mil milhões] abaixo dos Kz 4,3 biliões [USD 39 mil milhões] previstos no OGE 2014, essencialmente devido à quebra das receitas petrolíferas”.

“Por seu turno, a execução orçamental do lado da despesa também terá ficado aquém do orçamentado, sendo que o total da despesa ascendeu a Kz 4,6 biliões [USD 42,7 mil milhões], cerca de 13 por cento abaixo do orçamentado para 2014″, por isso “este desempenho deverá resultar num saldo global negativo de Kz 359.6 mil milhões (USD 3,2 mil milhões], equivalente a 3,1 por cento do PIB (comparativamente ao défice inicialmente estimado de 4,9 por cento do PIB)”.

O Orçamento retificativo de Angola para 2015 deverá ser aprovado pela Assembleia Nacional no dia 19 de Março, sendo que já está em vigor um decreto presidencial que estipula um corte de USD 18,1 mil milhões na despesa pública, antecipando, na prática, as medidas estipuladas no rectificativo.

Fonte:Rede Angola/Jambakiaxi

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This entry was posted on 10 de Março de 2015 by in Politica and tagged , , .

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