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Casas de câmbio de Luanda sem dólares apesar de injecção de 10 milhões

gervAs casas de câmbio angolanas continuam sem divisas para vender aos clientes, situação que se arrasta há semanas, mesmo depois de o banco central ter anunciado a venda directa de 10 milhões de dólares. A constatação foi feita pela Lusa numa ronda por casas de câmbio que funcionam em Luanda, quando o acesso a dólares permanece um verdadeiro quebra-cabeças em Angola, como resultado da crise petrolífera, que fez diminuir a entrada de divisas no país.

Numa consulta à “Anca Câmbios”, a funcionária explica logo de pronto: “Não temos dólares, vá passando. Este mês ainda não vendemos nada [dólares]”. Ainda assim, à porta do estabelecimento surgem, escritas à mão, as taxas oficiais de câmbio daquela casa: 145 kwanzas para comprar cada dólar aos clientes, 190 kwanzas para vender.

Trata-se de um problema, por exemplo, para milhares de angolanos que tentam viajar para o exterior do país e que praticamente não conseguem trocar moeda nacional (que não é aceite fora do país) por divisas.

Noutro ponto da cidade de Luanda, a “Nova Câmbios” está na mesma situação.”Não temos nada, mas não sabemos o dia de amanhã”, conta, conformada, a funcionária, explicando que nem marcações ou reservas, para garantir o levantamento posterior, são aceites por estes dias.

Ao balcão apenas a indicação da taxa praticada, neste caso de 148 kwanzas para a compra de cada dólar e 162,6 kwanzas na venda. O BNA revelou esta semana ter vendido, a 02 de Setembro, directamente a 33 das 48 casas de câmbio legalizadas em Angola, divisas no valor de 10 milhões de dólares, naquele que foi o segundo leilão do género.

Até agora, estas casas apenas podiam comprar dólares aos bancos comerciais, mas devido à crise cambial e financeira, as instituições bancárias alegavam não ter divisas em quantidade suficiente para essa negociação, o que levou o BNA a alterar o procedimento, vendendo directamente, ao melhor preço.

As vendas da passada quarta-feira foram feitas a uma taxa média de 149,870 kwanzas (cerca de um euro) por cada dólar, muito acima do câmbio oficial do BNA, que esta semana era de 125,159 e 126,411 kwanzas, respectivamente para a compra e venda de cada dólar.

Na casa “Nova Cabinda”, igualmente no centro da capital angolana, as taxas até são mais favoráveis (137 e 151,6 kwanzas), o problema é que dólares, para vender aos clientes, simplesmente não há.

“Estamos há semanas à espera, não temos moeda estrangeira. Não temos previsão, é ir passando”, explica a funcionária à Lusa. Enquanto isso, numa das casas da “B.C. Câmbios” da capital também já nem reservas se aceitam. “Não temos moeda de fora, nem aceitamos reservas. Desculpe, mas não há dólares”, atira o funcionário, num cenário que se agravou com o período de férias e viagens para o exterior.

Desde o final de Maio que o BNA tem em curso um programa para enfrentar a actual crise cambial no país.

Contudo, persistem as dificuldades no acesso a moeda estrangeira nos bancos, com o mercado paralelo, de rua, a apresentar taxas de câmbio acima dos 180 kwanzas por cada dólar, para a compra dos clientes, a única forma possível de o fazer nesta altura. A situação actual de falta de divisas, em função da procura, dificulta ainda as necessidades de moeda estrangeira que Angola tem para garantir as importações, de alimentos a matéria-prima e máquinas.

Fonte:Lusa/Jambakiaxi

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This entry was posted on 9 de Setembro de 2015 by in Economia, Politica and tagged , , , , , , .

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